terça-feira, agosto 5

o bonde amar, o bonde ler, o bonde viajar


a flipada da série "dez cobertas".

o bom de você amar e ser amado é saber que tem alguém que conhece todos os seus defeitos - ou, pelo menos, a maioria deles - e ainda assim, quer ficar contigo. e neste processo de querer ficar junto, a gente vai se preparando surpresas para sempre conquistar o outro.

semana passada, o foucinho realizou um grande sonho que eu tinha: conhecer a flip [festa internacional literária de paraty].

embora eu sofra muito com surpresas - ansiedade aguda generalizada -, amei a ideia, que acabou virando um destes dias inesquecíveis. além de conhecer a cidade, que é linda, pude ver de perto pessoas que admiro muito, como xico sá, santiago nazarian, frei betto, andré barcinski e o ator claudio manoel, que interpretava o seu creysson no casseta & planeta.

o melhor da flip deste ano talvez tenha sido a escolha do homenageado: millôr fernandes. desde 2012 não temos mais o millôr, mas deu pra ver que sua obra é maior que ele mesmo [e olha que ele era grande]. livros, música, peças, roteiros, tradução, crônicas... ele fez de tudo! um arnaldo antunes do século passado [só quem conhece a obra completa do arnaldo vai entender a comparação, ainda que um pouco descabida, assumo].

por isso, com vocês, algumas frases do millôr:

“o cadáver é que é o produto final. nós somos apenas a matéria prima.”

“se durar muito tempo, a popularidade acaba tornando a pessoa impopular.”

“fiquem tranquilos os poderosos que têm medo de nós: nenhum humorista atira pra matar.”

“chato... indivíduo que tem mais interesse em nós do que nós temos nele.”

“o cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde.”

“o aumento da canalhice é o resultado da má distribuição de renda.”

“a verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.”

“como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem.”

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