foto: roubei, daí. e daqui.estava cheio daquela coletiva, das palavras, do ar viciado daquela sala. jornalista que é jornalista – já dizia seu avô – fica apenas meio quieto, pois o silêncio é a metade pergunta boa. ele lembrou-se da esposa que ia embora, das contas que nunca iam embora, da parcela vencida de quase tudo, do estacionamento longe dali, da guarda do filho, do jornal que não lera naquela manhã, do seu perfil desatualizado no orkut – merda! – e da fome no mundo. e ainda das correntes de oração power point blaster fucking, do prazo para entregar a fucking matéria para o fucker editor, dos fucking dez mil caracteres. e a pauta era o fucking crescimento do exame de próstata. trocadilhos prováveis.
depois de um tempo sem pensar, levantou-se lentamente no meio da coletiva. o assessor do médico acenou para o jornalista. poderia, enfim, falar. mas apenas esticou os braços e começou a dançar a Macarena. e cantava “quem já botou pra rachar aprendeu que é do outro lado do lado de lá do lado que é lá do lado de lá”.
endoidou, o cotado.
que inveja.
PlayStation:
acordei cantando Caetano
e quis dividir com alguém.
azar o seu.
acordei cantando Caetano
e quis dividir com alguém.
azar o seu.
