De todas as questões que eu mais gosto, é aquela sobre a existência de espaço para a narrativa dentro da pós-modernidade. Perguntaram isso para o Arnaldo Antunes na antologia “Como é que chama o nome disso”. Não me lembro o que ele disse, mas eu penso que depende.
Existe um espaço na pós-modernidade que foi ocupado pela narrativa não-linear, muito mais fragmentada e confusa que o conceito tradicional de narrativa. O Baudrillard, no interessante “Cool Memories III”, falou isso ao explicar porque o livro era feito de pedacinhos de texto, sem conexão coerente entre os trechos.
Para compreender melhor, vale a pena assistir qualquer filme da trilogia do desencontro do Alejandro Iñarritu (feitos nesta ordem: “Amores Brutos”, “21 Gramas” e “Babel”). O roteiro é o Guillermo Arriaga, que esteve na Bienal do Livro de São Paulo, agora em agosto.
O produtor (diretor, escritor ou dono de um blog) que cria uma interrogação no espectador tem, ao menos, vocação para provocar. Com qual grau de qualidade ele faz isso (se é mesmo que existe graus de qualidade), é o que diferencia os humanos lembrados dos que apenas exisitiram.
esta foto faz parte de uma trilogia que foi
desenvolvida como presente para Camila Ponte,
a menina que gostava de gatos. Esta é a parte final, a da partida
(tema muito comum em tudo o que escrevo e fotografo ultimamente)



