Sexta-feira, Junho 27

Florença!

O professor doutor pesquisador phd não sei das quantas veio cumprimentá-la. Ela, muito desleixada, esquecera o nome, o cargo e a participação dele na tese de doutorado dela. A relação de importância era a mesma de Moisés para os mandamentos, ou coisa parecida. Como ela estava? E a família? Novos projetos?
- Bem.
- Indo.
- Sempre.
Depois, quando ele se afastou educadamente e foi para o canto mais longe o possível, uma amiga dela se aproximou:
- O que o superintendente para assuntos filosóficos de abordagem marxista angular queria com você?
- Oi?
Era ele. Ela se lembrara. Que bosta. Mas a amiga já tinha ido ocupar um lugar no meio dos outros ouvintes. No fundo da sala, ficaram ela e o pensamento no nome do tal professor. Que raios, como é que ele se chamava mesmo?
Enquanto ela mastigava a memória, já envergonhada por suas respostas Sim, Não, Talvez, o palestrante mostrava um gráfico sobre o crescimento do número de mulheres daltônicas na América Latina após a divulgação do tratado de Kyoto pela cúpula de...
- FLORENÇA!
Silêncio. Vazio. Tudo cinza.
- Pois, não? – perguntou o palestrante, ao microfone, olhando para ela.
- Eu?
- Sim, a senhora disse alguma coisa?
- Eu?! Nada.
Ela olhou para a multidão de pedra com cara de “esse cara está maluco!”. Lá na outra ponta da sala, o Professor Dr. Florença continuou a sorrir por muitas horas. Era o prazer de ser chamado pelo nome. E o da vingança. E ela nunca mais falou com ele.

Explicações sem razão
Ando sem escrever neste blog. Paro sem escrever neste blog. Corro sem escrever neste blog. Eu me sento no chão sem escrever neste blog. A inspiração vem, o texto começa a brotar, o cheiro das palavras me conquistam, mas quando me sento em frente ao computador, a tela sempre fica escura demais, o teclado fica molhado e a mesa, muito alta. Este blog está maltratado, eu sei. Ma isso ainda há de mudar. Ou mudo eu.

Quarta-feira, Junho 11

100... 99... 98...


O que você demora é o que o tempo leva!

Permissão subversiva

A cada download finalizado, eu me apaixono mais pela Editora do Bispo. Não vou filosofar sobre o papel que esse grupo tem ao disponibilizar na íntegra o conteúdo de alguns livros. Isso só atrasaria o seu clique para roubar permitidamente um Peréio, Simão ou Xico Sá. E há outros, que eu ainda não li.

Segunda-feira, Junho 9

Dias de coceira no cérebro

Há dias em que não acordo. Apenas levanto da cama e fico zumbizando o dia todo. Alheio ao que de mais importante acontece no mundo, prefiro lembrar de minha cama, meus lençóis e meu lindo melhor amigo travesseiro.
Confesso que, neste estado deplorável de sub-humanidade, fico exposto a músicas insanas do presente e do passado (as do futuro são muito complicadas). São trechos repetitivos e pegajosos como “me usa, me abusa, pois o meu maior prazer é ser tua mulher”, do Magníficos, e “foi sem querer, que derramei toda emoção, undererê, e cerquei seu coração, undererê”, da Eliana de Lima.
Também emergem outra vez na mente as musiquinhas de igreja dos meus idos tempos de crente (no sentido de “aquele que um dia creu no céu”) e uns sertanejos e axés construídos quase que exclusivamente de vogais: “aaaai, é amor, aiaiai, é amor, ôôôô” e “ouououou, olha o grito do Tarzan”.
Nestas crises de sono, bailam na minha mente estranha, Sindeis Magais e Betos Barbosas, Alciones e Gais Costas e tudo quanto é tipo de artista. Quanto mais tento me desvencilhar destas canções – algumas das quais eu até gosto de ouvir no carro – menos longe elas ficam. Cientificamente, são chamadas de Coceira no Cérebro ou Emergência do Subconsciente em Situação de Estresse. Eu, na minha ignorância científica, prefiro chamar de Raios de Musiquinhas!

Ainda sobre música, simplesmente adorável a música de abertura da novela das 21h, “A Favorita”. Para quem ficou curioso como eu fiquei, “Pa’ Bailar” é um tango eletrônico do grupo Bajofondo. Nestes programas de troca de informações virtuais (e-muler, ares e outros), é possível encontrar uma versão com Julieta Venegas, uma mexicana arretada que, inclusive, gravou “Miedo” com o Lenine, outra jóia valiosa.

Eu não creio, mas eu vou! E vou me esgoelar nesta semana cantando “mulher sem razão ouve teu homem, ouve teu coração”. Esperei muito por isso. A melhor sexta-feira 13 de todos os tempos (pelo menos de todos os meus tempos).

Segunda-feira, Junho 2

Não vai entender

Alicia, minha amiga, estava com dificuldade em achar homem. Isso, no conceito dela de homem, é claro. Dizia que todos os homens estavam parecidos demais com o Ken da Barbie. Ela queria um daqueles à moda antiga, que a fizesse de escrava, Amélia, a machucasse com um simples abraço, chegasse, assim, chegando. Um que a jogasse na parede, a chamasse de lagartixa e depois falasse “me leva uma breja lá na sala. E rápido”.
Eu sou testemunha do quanto Alicia procurou, procurou e procurou. Homem, pra ela, não pode usar creme, nem fazer a barba ou gostar de Diana Krall. “Essa onda politicamente correto, ecologicamente adequado e socialmente responsável está fudendo com a minha vida”, dizia.
Felizmente, ela encontrou. Rodou muito até achar o Jão (se escreve assim mesmo, Jota-A-O-Acento da Cobrinha no A), um ajudante de pedreiro marmiteiro corinthiano que morava na Zona Leste. O cara era o cara! Parecia ter tido aula de etiqueta com o Tarzan. Peludo, barbudo e marrudo, ele a chamava de Minha Nega (Alicia é loirérrima), na frente dos amigos dela e Minha Cadeluda (ela é maior gatinha), na frente dos amigos dele. E ela adorava. Estava apaixonadíssima.
Até que ele mudou.
Ela descobriu que ele também estava apaixonado e cometeu um grande erro muito comum nas relações apaixonadas: ele começou a pensar sobre o que ela gostaria que ele pensasse. Por isso cortou o cabelo, fez a barba, comprou sua primeira camisa não-xadrez, botou um tênis branco, calça jeans e, Jesus!, ele escovou os dentes. Aprendeu a andar direito, parou de coçar o saco (em público) e nunca mais ia dizer “caralho, meu!”.
Se ela gostou?
Bem, Alicia está solteira de novo. “Antes só do que acompanhada pelo Ken”.

Linque(1)
IstoaquiéumadascoisasmaisengraçadasdoYouTube.

Linque(2)
DevoltaaoBrasil,gUimohallentrouxeimagensinteressantíssimas. Aqui,ó.
E,de,quebra,indicouissoaqui,ó.