Sexta-feira, Outubro 26

Belo sexo


Juliette Binoche, deliciosa atriz francesa, sai peladinha na Playboy de novembro (infelizmente, só na França, pelo menos por enquanto). Maravilhosa capa. Conheço muita mulher de 30, 20, 14-já-tão-dando que perdem feio para a Binoche. Sem contar que é uma ótima atriz. Recomendo “Caché”, “Chocolate” e “Invasão de Domicílio” (o primeiro é crazy; o segundo é belo e o terceiro, insano).

Terça-feira, Outubro 23

Sexos e outras coisas necessárias

Indicação médica
Eu não posso conversar com Dias 15, Roberts, Malas, Escrotos, Medíocres e Zeros-à-esquerda (esse a tem essa crase?). Punheteiros são bem-vindos, desde que lavem as mãos (as duas, por via das dúvidas). Chupadores de velhas também podem chegar, mas sem falar gírias do século passado, morô? Minha mão sempre me disse para rever a qualidade dos meus amigos, só agora dou razão a ela.

Minha lápide
Nesta semana defini, depois de muito pensar, minha lápide: “Estou aqui contra minha vontade. Mas daqui não saio, ninguém me tira”.

Oi?
Não fui pra escola porque amanheci com o pinto todo doendo. A cabeça girando. O corpo todo dolorido. As pernas com câimbras. Os dedos inchados. A bunda esquerda marcada e as costas riscadas. O joelho ralado, a língua amortecida. O umbigo lambusado de leite condensado e as bolas com os pêlos em forma de trancinhas. A orelha mordida, o nariz trancado e o queixo mordiscado. Um gosto de carne na boca, a gengiva sangrando. Cheiro de detergente.
Acho que fiz sexo e nem vi.


Tenho dó é da menina que achava que bulinar com um homem poderia engravidar.


Congresso
Começa nesta quarta-feira o II Congresso Nacional de Punheteiros Daltônicos. O evento vai reunir representantes da ONG “Espoca Siribeta Colorida” de todo o País (com exceção do Acre, cujos punheteiros daltônicos declararam ruptura). Ele é considerado uma preparação para o encontro internacional que será realizado em Sete Cores, no Paraná, no começo do ano que vem. Segundo o presidente da entidade, Felipe Fonseca, são esperados cinco mil daltônicos punheteiros no Hotel Mão Única, em São Paulo. “A movimentação do encontro no ano passado fez o barulho que nós queríamos. Essa edição vai encostar mais na qualidade da punheta dos participantes, tanto dos destros como dos canhotos”, explica Fonseca, que é daltônico desde que nasceu, porém, só virou punheteiro na adolescência. O ponto alto do encontro será o Wokrshop “Que Cor é Essa?”, no qual os participantes vão aprender a gritar o nome da cor milésimos antes do orgasmo. Restam poucas vagas e a inscrição pode ser feita pelo site http://www.eusoudatonicoejogocincocontraum.com.br/.

Faço sexo para lembrar de 69, quando a vida tinha gosto de esperma.

Terça-feira, Outubro 9

comida que mexe


almoço árabe na ibbl, em itu.
ficava difícil prestar atenção no prato.

Quinta-feira, Outubro 4

eu queria ser meirelles [o diretor, claro]

tudo bem, vou escrever sobre isso. morro, me mordo, suicido de inveja de fernando meirelles. para mim, não é rodrigo santoro, paulo coelho [!] ou ivan lins o principal nome brasileiro no exterior: o melhor nome tupi é o meirelles. e não sinto inveja dele por essa fama e sim pela magnificência com que o cara trabalha. diferentemente do walter salles [um minuto de silêncio, por favor], o cara mostrou que sabe filmar [bem] aqui e em qualquer lugar.
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recordando: primeiro veio menino maluquinho 2 – a aventura [1998, nhé, né?], daí o maravilhoso domésticas – o filme [2000], então deus fez cidade de deus [2002, por favor, qualquer comentário sobre este filme seria pleonasmo demais para uma simples quinta-feira] e, para provar sua universalidade, ainda filmou um john le carré, com a habilidade de um john le carré do cinema [o jardineiro fiel veio em 2004, outro digno de atenção].

agora o cara vai muito mais longe. como todo mundo deve estar cego de saber, já está na filmagem o ensaio sobre cegueira, do livro do saramago. vai cagar, né? eu queria ser meirelles. é um nome para invejar, ou pelo menos acompanhar. para colocar no caderninho de brasileiros que fizeram a história do país parecer menos pobre. provavelmente tropa de elite será lembrado como um dos filmes que mais fizeram barulho na contemporaneidade do nosso cinema, mas eu ando na expectativa mesmo é para ver pronto a versão telona do blindness.

aliás, o tal lançou um blog para contar os bastidores do filme [tem garcia bernal e julianne moore no elenco]. quer? clique aqui.

Segunda-feira, Outubro 1

antunes de concreto

a luz lambe a parte externa das coisas
quando a luz lambe as coisas aparecem


este trecho do poema luz, do arnaldo antunes, define bem meu projeto experimental se você destraduzir luz para o latim photo. na verdade, o arnaldo tem (s)ido uma das descobertas mais interessantes destes últimos meses de aproximação com são paulo e com a poesia concreta. o poema que dá nome ao livro as coisas é um dos que mais gosto:
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as coisas têm peso,
massa,
volume,
tamanho,
tempo,
forma,
cor,
posição,
textura,
duração,
densidade,
cheiro,
valor,
consistência,
profundidade,
contorno,
temperatura,
função,
aparência,
preço,
destino,
idade,
sentido.
as coisas não têm paz.

talvez, como ocorreu com o vinicius de moraes, essa facilidade do poeta em brincar com as palavras tenha facilitado a carreira do músico. ou não. mas é fato que as músicas do arnaldo são verdadeiros poemas, como saiba, que a adriana calcanhotto regravou, ou o pulso, da era audível dos titãs, ou para lá, que ele gravou no cd mais recente [qualquer, 2007] e que construiu com a já citada calcanhotto. aliás, esta música pode levar o grammy latino no dia 8.nov.2007. eis um trecho que gosto:

em volta de um assunto
uma lente
depois de cada luz
um poente
para cada ponto
um olhar
rente

dá para ouvir online aqui.