a luz lambe a parte externa das coisas
quando a luz lambe as coisas aparecem
este trecho do poema luz, do arnaldo antunes, define bem meu projeto experimental se você destraduzir luz para o latim photo. na verdade, o arnaldo tem (s)ido uma das descobertas mais interessantes destes últimos meses de aproximação com são paulo e com a poesia concreta. o poema que dá nome ao livro as coisas é um dos que mais gosto:
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as coisas têm peso,
massa,
volume,
tamanho,
tempo,
forma,
cor,
posição,
textura,
duração,
densidade,
cheiro,
valor,
consistência,
profundidade,
contorno,
temperatura,
função,
aparência,
preço,
destino,
idade,
sentido.
as coisas não têm paz.
talvez, como ocorreu com o vinicius de moraes, essa facilidade do poeta em brincar com as palavras tenha facilitado a carreira do músico. ou não. mas é fato que as músicas do arnaldo são verdadeiros poemas, como saiba, que a adriana calcanhotto regravou, ou o pulso, da era audível dos titãs, ou para lá, que ele gravou no cd mais recente [qualquer, 2007] e que construiu com a já citada calcanhotto. aliás, esta música pode levar o grammy latino no dia 8.nov.2007. eis um trecho que gosto:
em volta de um assunto
uma lente
depois de cada luz
um poente
para cada ponto
um olhar
rentedá para ouvir online
aqui.