Sexta-feira, Julho 27

De coisas e autores que tenho lido

“A crucificação encarnada. Duas punhetas obrigatórias, até mesmo para os casados: uma na santa hora de pôr a matéria para descansar; outra ao alvorecer.”
Xico Sá, em Catecismo de devoções, intimidades e pornografias.
“Os velhos são podem o que sabem e os jovens não sabem o que podem.”
José Saramago, em A Caverna.

Quinta-feira, Julho 26

Da série: cartunistas com quem trabalho


Outra besteiras de qualidade aqui.

Quarta-feira, Julho 25

Poeminha dos desentendimentos brasileiros


Médico doente
Jornalista desinformado
Dentista sem dente
Seria relaxo ou mal-olhado

Professora que não sabe
Estudante que não lê
Camisinha que não cabe
O piloto, meu Deus, não vê

Vaqueiro com medo de vaca
Homem com medo de mulher
Açougueiro que não tem faca
Precisa usar a colher

Ambulância que só grita
E presidente ainda atrapalha
Ele acha que “é nóis na fita”
Está mais para Irmão Metralha

Leitor analfabeto
Escritor sem nenhuma leitura
Presidente Lula reeleito
Brasileiro sem muita cultura

Avião que não decola
Brasil que se complica
Marta manda: goza
Ministra não conhece Cumbica

Com tanta confusão
Congonhas vai acabar virando vazio
Quem quiser que pegue o busão
Ou faça como eu: desista do Brasil.

Quinta-feira, Julho 19

"Fica frio, ae!"

Fugindo da polícia no domingo, dia 15.
Os policiais, entre gordos e sendentários, eram: Juliana, Eloísa, Eduardo, Clarissa, Alexandre e Luís Flávio. Com participação especial de João Pedro, Júnior e Mateus.
Misturados na festa de anviersário da Eloísa, fizemos mais uma e boa festa de futuros formandos. O que é oficialmente despedida tem parecido cada vez mais o começo de uma grande amizade. Coisa que demoramos três anos e meio para construir. Se a Erica ler isto aqui, ela chora.
Por falar em chorar, a Erica foi a primeira (e provavelmente a única) a chorar durante a gravação do documentário que tem o objetivo de registrar a história da nossa sala de aula. Como não havia pinga, ela e Juliana não se abraçaram e ninguém, juro por Deus!, ninguém foi parar no hospital.
Por falar em hospital, não posso passar em frente ao Sanatorinhos que me dá arrepio. Parece que os enfermeiros estão na porta, com cadeira-de-roda a me esperar. "Vai glicose aí, meu chapa?".
Por falar em chapa... nada, não! Apenas precisava terminar esse texto que não deveria ter começado.

Segunda-feira, Julho 16

Jorge Vercilo Ao Vivo

Fotos produzidas no (maravilhoso) Teatro Polytheama, em Jundiaí, na sexta-feira (13/07).
Sou fã, dá para perceber pelas fotos.


"Eu adoro andar no abismo"
"Num insuspeitável bar pra decência não nos ver"
"Quem eu sou pra querer entender o amor?"

"Não há mal nenhum gostar assim"

"Vem me pedir além do que eu posso dar... é aí que o aprendizado está"

Quarta-feira, Julho 11

Projeto Experimental 2.0

Sem legenda, desta vez
Todo fim tem um começo. E como pretendo chegar ao fim deste ano com meu projeto experimental digno de atenção, comecei nesta semana a fotografar meu mais novo objeto de estudo: a relação entre velocidade e população economicamente ativa da capital. Em outras palavras: vou fotografar trabalhadores paulistanos que precisam do metrô para chegar ao trabalho ou em casa.

Esta, acima, é uma das minhas preferidas. Sempre que der – e com a economia coerente para não arrancar o fator surpresa – vou colocar uma ou outra aqui.

E como imagem nunca é demais (a não ser para os adeptos da medievalidade e do Clube do Iconoclasmo), abaixo publico uma foto inédita (e maravilhosa) do trabalho sobre Canudos do grande, do super, do incansável Evandro Teixeira. Repito: foto inédita, surrupiada do arquivo da Turned Off de Querengué. Ainda chego lá.


Quinta-feira, Julho 5

Solidão



da série Definições
Solidão é ter manteiga, pão e não ter faca limpa
É encontrar a casa como você deixou
É sair sem dizer até logo e chegar sem abraçar
O leite sem o café
O Marlin sem o Nemo
Solidão é fogo que arde e a gente vê
É a madrugada com gato miando no portão
É cadela no cio com portão segurando os cachorros

Solidão é punheta
É Pedro Abrunhosa
É Adriana Calcanhotto
Solidão é a falta do Renato Russo e da Cássia Eller
É uma mulher bêbada encostada na calçada
É um homem de terno em um escritório da Paulista
O zoológico, o metrô, a escada da Penha

É querer dormir enquanto o cachorro do vizinho late
É ser bloqueado no MSN
É comer pão com manteiga
É acordar e não encontrar cueca limpa
É dormir e não tirar a cueca suja
É meleca de baixo da mesa
É mesa no lugar da escada
Escada vendida, louça quebrada, lápis sem ponta
Solidão é sentar a esperar pelo ônibus
É sentar e esperar pela notícia
É apenas esperar
Solidão é Santiago Nazarian
É Gabriel García Márquez
É a morte do Vincius, do Senna, das Spice Girls
É Without a Trace
E o último episódio de Blossom

Terça-feira, Julho 3

Assessores de Porra Nenhuma (Aspones)


Pouquíssimos seriados neste mundo são, para mim, tão interessantes quanto Os Aspones. Sem dúvida alguma, no departamento de humor, é uma das melhores coisas que a Rede Globo (leia-se TV Brasileira) já fez. Elenco e roteiro (as duas coisas mais importantes numa produção dramatúrgica de TV, segundo meus critérios) são de primeira: Marisa Orth, Pedro Paulo Rangel, Drica Moraes, Andréa Beltrão e Selton Mello sob o texto de Alexandre Machado e Fernanda Young.
Em um dos episódios, a Nete (Marisa Orth) explica o que é um Cagaço: é uma dor de barriga que o sujeito sente quando recebe um comunicado oficial do governo sem que haja indicação de cocô na portinha.
Em outro, Teles (Selton Mello) alerta para o perigo de não prestar atenção no nome das pessoas (todo mundo o chama de Tales). “Imagine trocar uma letra do nome de um sujeito chamado Denis Bulhões de Carvalo!”.
Meu personagem preferido é o dele. Mas o elenco está fodisticamente bom, especialmente Drica Moraes como Moira. Perseguida pelo novo chefe do FMDO (antigo Fichário Ministerial de Documentos Obrigatórios e atual Falar Mal dos Outros), ela tem as cenas mais engraçadas.
Se você estiver como eu, de férias, sem muita coisa interessante para fazer, assista Os Aspones. O dvd tem sete episódios, somam pouco mais de três horas.