Terça-feira, Abril 24

Roda Viva

"Diogo Mainardi é do mal. Eu sou legal"

O Roda Viva de ontem entrevistou Franklin Martins (aquele jornalista que era da Globo, resolveu falar bem do Lula, foi mandado embora e hoje é ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República). Para quem não viu, aqui vai um atalho: a TV Cultura disponibilizou o conteúdo do programa no www.tvcultura.com.br/rodaviva/imprensa. O login é roda e a senha é martins.


De nada.

Quarta-feira, Abril 18

Faça alguma coisa

A segunda edição brasileira da Semana Desligue a TV está confirmada: entre 24 a 30 de abril. Saia da sala e faça qualquer outra coisa: sexo, esporte, leia um livro, vá ao cinema, passeie na praça, desenhe, pinte, borde, ande descalço pela grama... enfim, qualquer coisa para diminuir seu dependência da televisão (se você depende dela, é claro).
Minha iniciativa será fotografar mais do que de costume. E, por isso, bolei uma espécie de mini exposição virtual com imagens psicodélicas. Elas foram captadas à noite, conforme o ônibus voltava para Itu. Nelas, o desenho é a própria luz.
Sem mais delongas, coloco no ar essas imagens. Infelizmente, como é via virtualis, não tem canapés ou champagne Gardú De La Vär.
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Noite Veloz
apresentação
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Eu não tenho superpoderes, nem sei pintar. Fiz da minha máquina o meu dom e meu pincel. Assim, transformei uma triste viagem de ônibus em diversão e registrei algumas “tonalidades da noite”, em cores e formas que a luz cria ao rasgar a escuridão. O que eu chamo de “Noite veloz” é um resumo dessas imagens psicodélicas captadas rapidamente sem deixar claro o objeto da fotografia. O objetivo principal é incentivar o uso da fotografia como forma de expressão das sensações e emoções diante do mundo. Desligue a TV, pegue sua lente e registre o mundo sob sua ótica, porque, no fim de tudo você vai descobrir que o que realmente importa é o seu olhar, é como você vê o mundo. Tenho nada contra a televisão – há bons programas lá, eu mesmo assisto alguns –, mas creio que vemos demais “tudo enquadrado”, em um “remoto controle”, e que seja necessário andar pelo mundo “prestando atenção em cores que eu não sei o nome”.
Sim, duas músicas da Adriana Calcanhotto me inspiraram nessa “mini exposição virtual”. De uma frase de Vambora eu roubei o título (frase que, por sua vez, foi inspirada em Manuel Bandeira) e de Esquadros eu tirei a vontade de desligar a televisão e perceber o mundo de uma maneira mais visceral. Na pele. E depois registrar essas sensações pela lente da câmera.






Quinta-feira, Abril 12

Gargalhadas

“Mãe, manda ele contar porque que ele tá rindo!”


Por que será que ficamos incomodados quando alguém começa a rir perto da gente? Talvez a psicologia explique isso, provavelmente nos sintamos excluídos ou coisa parecida. Me lembro que isso entre minha irmã e eu era muito comum. Quando um começava a rir de coisa alguma, o outro queria saber, ficava no pé.
Eu me lembro de situações em que eu oferecia dinheiro a ela para me contar o motivo daquelas gargalhadas misteriosas. E de uma vez que ela pediu para minha mãe me obrigar a contar porque eu ria tanto de nada. Seria dela? Seria mentira? Provavelmente era uma besteira qualquer.
Uma amiga da faculdade disse que uma vez quase parou o carro não para me dar carona e sim para saber porque eu ria tanto pela rua. Eu tenho essa mania: enquanto caminho até a faculdade, começo a lembrar das coisas mais esquisitas, crio histórias que dariam em livros se eu tivesse paciência para escrevê-las por inteiro. Claro que isso incomoda, especialmente a mim. Tenho medo de que as pessoas pensem que estou rindo delas, sendo que nem mesmo olho para os outros na rua.
Se algum dia eu fizer alguma coisa grandiosa neste mundo, tenho certeza que essa idéia surgiu enquanto eu caminhava pra faculdade e dava umas boas gargalhadas de tudo isso.
*foto de Eloísa Rodrigues

Terça-feira, Abril 10

Domésticas e o cavalo da notícia

"Fofoca boa vem à cavalo"

A prima da minha mãe tinha uma vizinha que conhecia a amiga da empregada da Xuxa (sabe essas conexões de mulher fofoqueira? Não a minha mãe, claro, porque mãe da gente não fofoca, apenas gosta muito de comentar as notícias com as comadres). Ocorre que um dia desses a tal empregada espalhou por aí que a Xuxa tinha acordado com torcicolo. Claro que lá em Querengué não se falou disso por dias e dias.
- Sabe a Marina? Então, a tia da Gerusa contou a Verinha ouviu a Tânia contar pra Sofia que a Xuxa está com torcicolo!
Coitada da Xuxa! Com uma empregada daquelas, quem precisa de um jornalista?
Essa história me fez lembrar da Andréa, uma doméstica que foi despedida por um motivo bem banana. Eu digo a fruta mesmo, não é uma gíria. Minha mãe que conta bem a história. Um dia percebeu que sempre sumiam algumas bananas do fruteiro de casa e, como nem eu, nem minha irmã comíamos coisas saudáveis sem sermos obrigados, ela foi questionar a Andréa.
Claro que a Andréa ficou vermelha. Ladrão que não é ator confessa o crime na bochecha. O problema não era a empregada comer coisas lá de casa (na verdade, na minha família a gente nunca usou esses termos “empregada” e “doméstica”, era sempre uma mulher que ajudava minha mãe e ganhava para isso, um eufemismo muito comum em cidades do interior). O problema real era mentir, era fazer isso escondido.
- Andréa, se você não contar, não tem como ficar mais aqui em casa. Eu não vou conseguir mais confiar em você!
Pergunta vai, pergunta vem, a Andréa confessou que vinha roubando quatro bananas por semana.
- Mas eu posso explicar pra senhora. É que a amiga da vizinha da minha prima me ensinou uma simpatia para doméstica agarrar homem. Tem que pegar quatro bananas da casa onde trabalha e comer de calcinha vermelha em cima do telhado. Ela disse que é infalível, pega qualquer homem, a senhora precisa ver.
Claro que depois dessa explicação minha mãe mandou a Andréa embora. Nem tanto pelo roubo ou pelo rol de besteiras que ela falava, mas pelo perigo de ela querer agarrar meu pai.

Quinta-feira, Abril 5

Minha vida em série

“Só me falta voar e ter um caso com uma menina chamada Lana”

Minha vida se explica em seriados. Quando acordo, geralmente estou bem Smallville, com aquela ingenuidade de acreditar nas pessoas, que no fundo, tudo tem um lado positivo e a vida pode ensinar bastante se você se deixar crescer.
Quando percebo as pendências do dia anterior esperando no outlook, me visto de Heroes e começo a usar meus dons para algum bem, nem que seja meu próprio bem. Quando chega a hora do almoço, já me sinto um Prison Break e saio correndo do escritório pra casa.
Para almoçar, entro na selva de opções dessa Lost e, se não encontro um javali, vai um cachorro-quente mesmo. Na volta para o escritório, me bate aquela sensação de último episódio de Blossom ou daquela cena noturna de Chaves em Acapulco.
Na segunda temporada do meu dia, me transformo num agente de 24 horas, visto que os desafios maiores (e, claro, os mais chatos) ficaram para depois do almoço. Arrumo mailing, faço follow-up e encontro os clippings Desaparecidos antes de sair para a faculdade.
Nesta terceira e última fase, rola aquele clima O.C. e Gilmore Girls. Alguns professores nos enchem de trabalhos e provinhas, algo bem Carrossel e sempre tem aqueles Simpsons que não entendeu. Obedecemos e cumprimos os trabalhos para que algum dia, quem sabe, vivamos num mundo meio Futurama, onde as pessoas South Park não são excluídas e você pode relacionar-se com seus Friends sem grilos ou mania de perseguição.
Quando me deito na cama, já em House, após mais de 16 horas acordado, me sinto A Sete Palmos. Meu dia parece Supernatural, mas talvez seja esse mesmo o problema.
Então eu durmo. É a noite que me recupero dessa mesmice e recupero a esperança na humanidade (e em mim também).
*imagem de Renato Guedes para a revista Smallville