Domingo, Novembro 26

Fonseca Comunicação

Escrevemos scraps, comentamos no seu blog e até postamos como se você. Respondemos e-mails para seus amigos, apagamos seu contato da nossa lista de “pessoas a quem mandar correntes esotéricas” e mandamos vírus para seus inimigos.
Se você assinar o pacote máster urban desnecessaire vai ganhar INTEIRAMENTE grátis doze, eu disse DOZE depoimentos nos seu Orkut. Você pode escolher entre três modelos:

Modelo de depoimento Amigo Sem Palavras
O que dizer de você? Ah, fica difícil traduzir meus sentimentos em um único texto. Mas acho que todo mundo que conhece você vai entender o que tenho para dizer, ou melhor, escrever, rsrsrsrsrs.

Modelo de depoimento Dos Manos
Esse cara é gente, moro? Sempre ligado nas nossa parada, tem as mina que quer, vai e vorta assim, meu, sem que ninguém diga para onde o cara tem de ir. Sô só fã desse brow aqui, um abraço.

Modelo de depoimento Amiga Patricinha
AI gEnTI, quERIa saBer isCReVeR tuDO eM mINúsCulO pARA dIzEr qUe, assim: aDorU mINha AmIGAAAaAAaa. AdORu.

E não é só isso: as primeiras três zilhões de pessoas que assinarem nessa semana vão ser adicionadas por cem, eu disse CEM contados no MSN.

Essa promoção é imperdível.
Assine já.

(se ninguém comentar no seu Orkut depois disso o médico deve ser procurado).

Sexta-feira, Novembro 24

Feito nuvem passageira


Hoje, sem uma doutrina específica para me cegar, olhoo mundo a procura de algo novo. Não pode ser nada que me acorrente, nem que tenha alma pequena. Gostaria de descrever o que é "não ter alma pequena". Mas, como ainda não encontrei e continuo inquieto, sigo assim, aos pulos. De duas, uma: ou dou com a cara na parede ou me sinto preenchido. Penso que vale a tentativa.

Debutante

- Mãe, você acha que eu deveria chamar a Kinha para minha festa?
- Aquela vendedora de Avon?
- Não, a que vende Natura. Quem sabe ela me dê uns produtos de presente...
- E a tia Neneca? Ela também vende Natura...
- Ah, não sei, mãe...
- Mas você sempre gostou tanto dela!
- E eu gosto. Mas é que quando ela bebe fica contando de quando eu era pequena e fazia xixi na samambaia dela e cocô atrás da cortina...
- Ué, mas não vamos ter bebida alcoólica na sua festinha de 15 anos, minha filha!
- Mãnhê, alou! Desde quando a tia Neneca precisa que tenha bebida na festa para ficar bêbada? Lembra daquele dia que achamos duas garrafas de vodca escocesa na bolsa dela? E e eram contrabandeadas!
- É mesmo. Ela é minha irmã, mas quando bebe fica in-su-por-tá-vel!
- Eu pensei em chamar o pai da vizinha da tia daquela amiga da Erica. Mas se o papai encontrar com ele lá, os dois vão ficar contando piada de loira e a Marcinha falou que vai tingir o cabelo só para minha festa!
- Então, não, minha filha! Então, não! E o príncipe, já decidiu quem vai ser?
- Falei com o papai e ele já sabe que não pode chegar mais de dez metros perto de mim durante a festa. O Pedro disse que nem vai, porque aquela idiota da namorada dele ainda me odeia. Acho que vamos ter de contratar alguém mesmo... Sei lá, talvez um modelo, que tal?
- Ai, minha menina, tudo para você ter uma festa de 15 anos inesquecível!
- Obrigada, mamiiiis, te adoro. Beijoca aqui. Miuschique®*. Agora vamos ver a decoração. Encontrou aquele globo com formato da cabeça da Hello Kit que te pedi há mais de duas horas?
- Ainda não, mas os beijinhos terão fotinhas do rosto dos Rebeldes.
- Ai, mamiiiis, já falei que te adoro?


* Impossível para este cronista escrever o som que o beijo de uma Patricinha faz. Smach, para mim, é nome de chocolate ou de desenho do programa da Xuxa. Utilizei Miuschique® porque os beijos em Querengué têm um som parecido com isso.**

** Nota inútil essa sobre o som do beijo. Nota que precisa de outra nota é um sacrilégio. Mas um para minha coleção.

Terça-feira, Novembro 21

.

Informativo Querengué
Para elementos que não têm o que fazer dentro do ambiente de trabalho
NO GOSTO Quem já comeu aquele salgadinho Dippas da Elma Chips sabe bem como é comer isopor. Na verdade, o grande lance desse salgadinho é o molho exclusivo em que ele deve ser mergulhado antes de ser comido (uau!). O paradoxal é que a embalagem diz que é a família Doritos. Só se for um primo beeem distante. Publicitáriosde embalagem de salgadinho, humpf, o mundo seria muito mais saboroso sem eles! “Dippas, o salgadinho sem gosto da Elma Chips”.

PLÁSTICA Demorou, mas o site www.itu.com.br está de cara nova! (nossa, pareço um publicitário com essas palavras, Deus me livre!). Valeu pela espera, ficou bem legal. E para comemorar coloquei um novo texto lá, que provavelmente será censurado, hehe.

LIVRO Acabei de ler “Crônica de uma morte anunciada”, o novo livro antigo que li do Gabriel Garcia Márquez. O livro é uma crônica de uma morte anunciada (jura?). Bem interessante, devorei. Não chega a ser um “Cem anos de solidão” (também, outro livro como esse nem o próprio Garcia Márquez consegue), mas achei mais interessante que “Memórias de minhas putas tristes”.

TROFÉU Alguns filmes merecem ser desrecomendados. O nosso troféu “Bosta de DVD” vai para “Não olhe para baixo”, sem dúvida alguma, um dos piores 10 filmes que vi neste ano. A sinopse é interessante (para quem gosta de um suspense no qual morre um punhado de gente sem explicação inicial) e o fato de ser dirigida por Wes Cravez (aquele tiozinho que dirigiu o Pânico 1, 2 e 3) me fez levar pra casa. Uma merda. O começo é apenas ruim, no meio piora e o final é uma grande merda, maior que aquele cocozão de Jurassic Park.

FRASE A frase da semana foi enviada pela Maria Capitulina de Jesus Amor Divino e diz muito sobre a nossa necessidade de se lançar na vida sem medo de ser feliz, dos preconceitos alheios e da possibilidade de fracasso:
“O que é um peido para quem está cagado?”

Segunda-feira, Novembro 13

Pela Penélope Cruz eu viraria lésbica



“Pela Penélope Cruz eu viraria lésbica”
©Felipe Fonseca

Eu voltava de ônibus para Itu quando soltei essa frase. Ela resumiu tudo. Creio que não é necessário falar mais nada. O jeito é todo mundo assistir Volver também, o novo filme do Almodóvar. É bom, muito bom. Mas Penélope é o melhor de tudo. Ali e em qualquer outra coisa. Acho que Deus foi muito sacana, usando todos nós de rascunho para finalmente acertar com Penélope Cruz.
Pela Penélope Cruz eu viraria lésbica. No avesso. Corinthiano. Crente. O caneco.
Eu pintaria todo céu de vermelho, eu teria mais herdeiros que um coelho.

Vale a pena o filme. As outras atrizes também estão boas (Carmem Marua, especialmente, como velha). Mas a Penélope... aiai.

Quinta-feira, Novembro 9

Se


E se, assim de repente, todo mundo descobrir que eu sou adotado? Que não sou daltônico porcaria nenhuma? Que nunca morei em Cabreúva e que, aquele homem e aquela mulher que eu chamo de pai e mãe são, na verdade, meus padrinhos que aceitaram cuidar de mim quando matei meus verdadeiros pais? O que aconteceria?

E se todo mundo descobrir que meu verdadeiro nome é Armando Pinto? E que eu não retirei o apêndice e sim uma cobra gigante da barriga que os médicos carinhosamente chamaram de verme? E se as pessoas souberem que essa cicatriz que tenho na cabeça é lembrança daquela posição lamentável do kama sutra?

E se todos souberem? E se não der mais para esconder? O que eu faço?

Ficarei diariamente diante do espelho, os olhares reprobatórios das pessoas que antes diziam ser minhas amigas, desde que eu fosse quem eu realmente dizia ser. E não esse monte de mentiras e reajustes que precisei fazer para sobreviver.

E se todos souberem que, na verdade, Felipe Fonseca é o nome que um grupo de loucos inventou para criar um blog, escrever algumas crônicas sobre um lugar chamado Querengué anonimamente? E que escolheram o filho de um mendigo para fingir ser esse tal rapaz?

Oh, Deus, essas são dúvidas que me correm a alma todas as noites. Exceto naquelas em que fico pensando em qual será a próxima mentira que vou inventar.

Quarta-feira, Novembro 8

Dia das almas abandonadas

É manhã de finados. O dia que eu chamo carinhosamente de Dia das almas abandonadas, porque todo mundo acha que está rezando pelos que foram quando, na verdade, lamentamos a nossa dor de ter ficado. Vou com minha mãe e um casal de tios ao cemitério visitar o túmulo de meu avô. Creio que fazemos isso para termos certeza que ficamos para trás mesmo. Creio que também seja por isso que existam velório e enterro.
O dia está nublado em Avaré, interior paulista. É quase impossível passar pela porta do cemitério com tantas pessoas vendendo alguma coisa ali na entrada. O cenário “25 de março” me faz lembrar da frase bíblica “viver é Cristo, morrer é lucro”. Pros outros. É tanta flor, vela, garrafinha de água e até churros que eu faço minha mãe prometer que vai me cremar, caso eu morra antes dela. Pra que gastar dinheiro com meu velório-enterro-Dia-de-finados? Passa a grana antecipada que faço melhor proveito dela!
Ali é notável a desigualdade social que varre os brasileiros. Tem túmulo de tudo quanto é jeito, mas consegui agrupá-los e subdividi-los em três categorias: 1) gente enterrada debaixo da terra; 2) gente enterrada debaixo da terra com belos disfarces cobrindo e 3) gente “enterrada” em cima da terra, com belos disfarces em volta. Há túmulos que, se fossem vendidos, pagariam a minha faculdade, pós-graduação e dava entrada no Cross Fox amarelo, ano 2006 que eu ando paquerando.
“Moço, você viu minha mãe?”
Olho para baixo e há aquele ser puxando meu braço, quase me derrubando junto das flores que carrego. Quando vou dizer a ele que não conheço a mãe dele (o que eu queria mesmo era chutá-lo para dentro de uma cova aberta), sua querida mamãe aparece e fala “feliiiipe, como você cresceu!”. Em Avaré isso é muito comum. Eu cresci. Fiquei bonito de barba. E já estou fazendo faculdade, que diria, um jornalista na família! Primas distantes como essa que encontrei no cemitério (com seu adorável filho que ela teve a esperteza de levar a um local como aquele) seguiu direitinho os Cinco Passos Para Irritar o Felipe Quando Encontrá-lo Anos Depois.
Passo 1: Diga que ele cresceu, é um moção e que está a cara do seu Tio... como era o nome dele mesmo?
Passo 2: Pergunte pelo pai dele, mãe, irmã, cachorro, papagaio e peixe-palhaço. Depois diga que ele sumiu, nunca mais foi lá brincar no seu quintal.
Passo 3: Passe a mão na barba dele e diga que ficou bonitão assim, até aprece aquele outro tio, como ele se chamava, oh, meu Deus?
Passo 4: Lembre o Felipe de alguma travessura de infância, como quando ele dormia na cama dos seus pais por ter assistido A Volta da Mulher Sem-Cabeça ou como quando ele torcia a língua pra fora da boca quando escrevia uma redação.
Passo 5: Diga para ele aparecer qualquer hora dessas, afinal, você ainda mora no mesmo lugar feio em Avaré e ainda guarda (esconde!) aquelas fotenhas de quando os pais dele o obrigaram a cortar o cabelo à la Chitãozinho&Xororó.

Bem, voltemos ao Dia das Almas Abandonadas.
Saio de lá com um pouco de tristeza, é claro. Aqui dentro existe um coração de pedra, mas de vez em quando ele trinca. Mas acho que choro muito mais pelos vivos do que pelos mortos. Afinal, eles devem estar todos no céu, rindo e, de vez em quando rezando por nós. Nós, esses seres incompreensíveis que choram nem tanto pelos mortos, mas por termos sidos deixados para trás.

Sábado, Novembro 4

Associação Protetora das Siliconadas

Quando minha tia Anita inaugurou uma seção diferente na família, todo mundo criticou. Ou quase todo mundo, pois eu apoiei a idéia. Falo da Seção das Siliconadas (que, por enquanto, só agrupa ela mesma, coitada).
Me lembro que, na época, as pessoas comentavam coisas maldosas como “tanta gente passando fome no mundo e a Anita aí, pensando só nela!”. Ora, e quem foi que disse que colocar silicone é pensar em si? Deixa eu falar: tem que ter muito peito para colocar silicone! Ou não, depende da interpretação. Ocorre que, na época – não faz tanto tempo assim para chamar de “época”, mas enfim – ela teve de ouvir críticas e mais críticas por ter traído a Seção das Sem-Peito ao aderir ao silicone.
Acho que botar silicone deveria ser considerado caridade. Caridade porque, no final das contas, são os homens (ou mulheres, no caso das lésbicas) que vão aproveitar do novo design da siliconada. E quem tem de pagar operação e sofrer as dores pós-implante? A nova peituda do pedaço, é claro! A paisagem ficará melhor, o mundo ficará mais aconchegante e as lojas farão queima de estoque com os vestidos com decotão. E quem sofre o preconceito da sociedade e tem dores horríveis nas costas? Quem, hein, me diz quem? A minha tia e a outras made-in-cirurgia.
Desculpe o desabafo, mas era um assunto preso aqui no peito e que eu deveria permitir que vocês apalpassem também. Pensar nisso e nunca ter publicado um post se quer defendendo as colegas da Feiticeira era como ter dois melões abaixo da garganta e não poder expor a beleza dos meus argumentos.
E para terminar o assunto, deixo aqui a Oração das Siliconadas que eu mesmo compus. Se um dia eu virar santo (duvido, mas se o Lula foi reeleito, por que não?), por favor, digam ao Papa que gostaria de ser chamado de São Felipe Fonseca, Padroeiro das Siliconadas. Amém.

Oração a São Felipe Fonseca

Ó meu amado, inteligente, lindo, gostoso, cheiroso e atencioso São Felipe Fonseca. Venho a vós expor meus dois enormes pedidos que tenho de suportar por tanto tempo. Vós sabeis como eu agüentaria firme a dor de uma nova cirurgia de implante ou mesmo uma outra lipoaspiração. Entendeis que dinheiro não nego quando o assunto é recauchutar a vida ou inflamar os pulmões de vida. Sou forte, linda, vitaminada e poderosa. Os homens caem aos meus pés e todos anseiam pelo dia em que finalmente tocarão meu coração. Peço a vis, ó santo entendedor das causas maiores e mais urgentes, que nunca, em hipótese alguma, deixe meus dois filhos serem desvalorizados no mercado ou, Deus nos livre!, ficarem cabisbaixos. Tende compaixão daquelas cujos filhos ficaram vesgos ou tortos. E, especialmente daquelas infelizes que têm o esquerdo maior que o direito. Aproveitando o pacote de final de semana, afinal, nem sempre tenho tempo para rezar a vós, ó lindíssimo santo fonseqüense, livrai-nos das estrias, verrugas, boletos bancários atrasados e cirurgiões mal preparados. Desde já guardo a devoção em meu peito e digo-vos que, assim que eu chegar no céu, a primeira coisa que farei é vos dar um abraço apertado. Assim seja.

Quarta-feira, Novembro 1

Raio-X de uma aula de Jornalismo

Como vocês sabem, o jornalismo vive uma transformação diária dentro das redações. Mas é na faculdade que vocês terão oportunidade de discutir a ética. No dia-a-dia de uma redação, você tem que estar preparado para os desafios que...

- O que você fez no final de semana?
- Fui ao cinema, vi “Elsa e Fred”, puta-filme-bom. Aproveitei para ler “Os detetives Selvagens”. E você?
- Vi “As Torres Gêmeas”. Detestei. O filme inteiro é uma conversa entre dois bombeiros. “Agüenta firme, cara, agüenta firme”. Perdi meu tempo.

...como aconteceu com essas denúncias de corrupção envolvendo o alto escalão do governo Lula. Dias atrás eu lia a Folha de S.Paulo e o Cony... ei, classe, vocês conhecem o Cony, não? Bem, ele dizia que a imprensa brasileira ainda precisa...

- Tenho que te contar uma bomba!
- A Susi não vai mais se casar com o Emerson Carlos!
- Mentira! Onde você ouviu isso?
- Numa revista de novelas que li enquanto esperava minha irmã no médico.
- Aconteceu alguma coisa com ela?
- Nada, não. Só descobriu que o Emerson Carlos a atraiu com a Carlinha.
- A sua irmã, sua desligada.
- Ah, nada de mais. Ela foi fazer um exame de gravidez.

...agora o presidente terá de conviver com isso. E a imprensa também. Não podemos mais aceitar como verdade tudo o que vem das fontes oficiais, mas não podemos descartá-las. Me parece que o mito dos dois lados da moeda nunca foram tão questionados como nos tempos atuais. Classe, pergunto a vocês: será que devemos reproduzir sem questionar as frases de um político corrupto? Vejam o caso do Collor, ele dizia que...

- “O que é um peido para quem tá cagado?”!
- Essa é boa, mas a minha preferida é “senta, rebola e cheira”.
- Haha, é boa também. Tenho um tio que vive dizendo "fodam-se os fodões!".

...e coisas assim vocês vão enfrentar o tempo todo. É importante aproveitarem esse tempo de aprendizagem para discutirem possíveis problemas e desafios que uma grande redação enfrenta. Agora peguem uma folha, quero que me redijam um artigo de duas laudas sobre como vocês acham que deve ser o posicionamento da mídia diante de fatos como o...

- Aí eu mandei ela tomar no cú, né? Ta pensando o que, só porque é velha pode falar assim da minha vida?
- É, mas ela é sua avó, né?
- Foda-se! Se eu tivesse de chamar de vó todas as mulheres que meu avô catou, vixi, haja avó, hein!