Duas músicas do Legião Urbana respondem bem porque ando com minha alma inquieta. Dá vontade de me colocar numa mochila e me roubar disto tudo aqui.
“Sentia mesmo que era mesmo diferente, sentia que aquilo não era o seu lugar”.
Faroeste Caboclo
“Vem comigo procurar algum lugar mais alto, longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita. Tenho quase certeza que eu não sou daqui”.
Meninos e Meninas
Ainda sinto que preciso dizer mais vezes por dia: “festa estranha, gente esquisita”.
Terça-feira, Outubro 31
Sábado, Outubro 28
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Revista Piauí. 4ª temporada de 24 horas. Fernando Sabino (O gato sou eu). 2ª temporada de Lost. Elsa e Fred. Roberto Bolaño (Os detetives selvagens). A sete palmos. Boa noite e boa sorte. Mario Vargas Llosa (Cartas a jovem escritor; A verdade das mentiras). Alejo Carpentier.
As duas últimas semanas foram de importantes descobertas culturais.
As duas últimas semanas foram de importantes descobertas culturais.
Domingo, Outubro 22
Invernos
Às me esqueço que o destino sempre me quis só. Chego a pensar que sou normal, que tenho esse negócio de direitos humanos, que há luz no fim do túnel para mim. Bobagem. Como tudo em minha vida, isso é bobagem. Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir.
A gente paga um preço por querer ser o mais forte, o preparado. Talvez eu não esteja disposto a pagar esse preço. Talvez esteja, sei lá. Provavelmente tudo isso se mostre como uma grande frescura fonseqüense de domingo à noite e, após uma cervejada qualquer dia desses, eu acabe esquecendo a tristeza num canto do bar. Eu gostaria mesmo é de hibernar. Numa caverna, no meu quarto, na sala de espera do aeroporto. Sei lá. Hibernar.
É um absurdo, eu sei disso, mas em horas assim os suicidas não me parecem tão malucos quanto dizem por aí. Nem tão fracos, desesperados ou covardes. Quando sinto o Inverno, essas pessoas apenas me parecem homens e mulheres que fizeram uma opção radical demais que, porém, não me dá direito algum de julgá-los. Eu nunca conheci alguém que tenha feita essa opção. E espero que, dentre os que conheço, ninguém a faça. Mas, se alguém fizer, ora, o destino sempre nos quis sós, num deserto sem saudade, sem remorso, sós, sem amarra, feitos barcos embriagados ao mar. É uma escolha infeliz de alguém que se achava preparado.
Eu resolvi não lutar mais contra nada disso. É tudo em vão, pérolas atiradas aos porcos (aliás, tenho atirado muitas dessas). De hoje em diante apenas vou abrir os braços e permitir que a correnteza me leve pra qualquer canto do mundo. Ásia, Europa, América.
Coloquem na internet, imprimam-se os cartazes já preparados em Photoshop: “Felipe Fonseca à baciada”. Por quilo. Leve seis e pague quatro. Se ligar agora leva outro de presente. Eu mesmo colocarei uma placa enorme na frente de casa “FELIPE PROJETO INVIÁVEL DECRETA FALÊNCIA”. Quem investiu em mim na Bolsa vai ficar decepcionado. Eu também fiquei, mas depois a gente se acostuma com a dor. No começa ela é bastante imperativa, parece intrusiva, mas é apenas um resultado da nossa incapacidade de ser anjo.
O pior é pensar que isso um dia vai cicatrizar. E daí, quem sabe depois daquela cervejada, eu vou me esquecer mesmo do inverno. Das tramóias do destino. E daí eu vou rir, fingir que está tudo bem, aquilo lá passou de vez! E vou deixar de lado o fato de que todos eles também passaram. Aqueles que eu amava passaram de vez e eu ali, num dos lados da mesa rindo de bêbado.
Talvez seja melhor manter cada corte em carne viva. A minha dor em eterna exposição. Ignorar essas baboseiras que as pessoas falam quando você está nas piores, de que é fase, de que a vida é assim mesmo, fazer o que, né? Ignorar a esperança vã que me derruba mais que as minhas próprias derrotas e deixar, apenas deixar que a luz do sol forre a cama. Que ela invada o quarto, sem que eu tenha convidado ou alguém tenha avisado e acabe com esse Inverno de uma maneira positiva, com a qual eu ganhe sem me esquecer de que a dor foi quem mais me ensinou a ser eu mesmo.
A gente paga um preço por querer ser o mais forte, o preparado. Talvez eu não esteja disposto a pagar esse preço. Talvez esteja, sei lá. Provavelmente tudo isso se mostre como uma grande frescura fonseqüense de domingo à noite e, após uma cervejada qualquer dia desses, eu acabe esquecendo a tristeza num canto do bar. Eu gostaria mesmo é de hibernar. Numa caverna, no meu quarto, na sala de espera do aeroporto. Sei lá. Hibernar.
É um absurdo, eu sei disso, mas em horas assim os suicidas não me parecem tão malucos quanto dizem por aí. Nem tão fracos, desesperados ou covardes. Quando sinto o Inverno, essas pessoas apenas me parecem homens e mulheres que fizeram uma opção radical demais que, porém, não me dá direito algum de julgá-los. Eu nunca conheci alguém que tenha feita essa opção. E espero que, dentre os que conheço, ninguém a faça. Mas, se alguém fizer, ora, o destino sempre nos quis sós, num deserto sem saudade, sem remorso, sós, sem amarra, feitos barcos embriagados ao mar. É uma escolha infeliz de alguém que se achava preparado.
Eu resolvi não lutar mais contra nada disso. É tudo em vão, pérolas atiradas aos porcos (aliás, tenho atirado muitas dessas). De hoje em diante apenas vou abrir os braços e permitir que a correnteza me leve pra qualquer canto do mundo. Ásia, Europa, América.
Coloquem na internet, imprimam-se os cartazes já preparados em Photoshop: “Felipe Fonseca à baciada”. Por quilo. Leve seis e pague quatro. Se ligar agora leva outro de presente. Eu mesmo colocarei uma placa enorme na frente de casa “FELIPE PROJETO INVIÁVEL DECRETA FALÊNCIA”. Quem investiu em mim na Bolsa vai ficar decepcionado. Eu também fiquei, mas depois a gente se acostuma com a dor. No começa ela é bastante imperativa, parece intrusiva, mas é apenas um resultado da nossa incapacidade de ser anjo.
O pior é pensar que isso um dia vai cicatrizar. E daí, quem sabe depois daquela cervejada, eu vou me esquecer mesmo do inverno. Das tramóias do destino. E daí eu vou rir, fingir que está tudo bem, aquilo lá passou de vez! E vou deixar de lado o fato de que todos eles também passaram. Aqueles que eu amava passaram de vez e eu ali, num dos lados da mesa rindo de bêbado.
Talvez seja melhor manter cada corte em carne viva. A minha dor em eterna exposição. Ignorar essas baboseiras que as pessoas falam quando você está nas piores, de que é fase, de que a vida é assim mesmo, fazer o que, né? Ignorar a esperança vã que me derruba mais que as minhas próprias derrotas e deixar, apenas deixar que a luz do sol forre a cama. Que ela invada o quarto, sem que eu tenha convidado ou alguém tenha avisado e acabe com esse Inverno de uma maneira positiva, com a qual eu ganhe sem me esquecer de que a dor foi quem mais me ensinou a ser eu mesmo.
Quinta-feira, Outubro 19
Vô Roque deixou saudades
E meu vô Roque morreu.
Há mais de 14 anos eu não tinha uma experiência de velório, de perda profunda, da dor da morte. Dói. Eu não imaginava que meu avô me faria tanta falta.
Das lembranças mais marcantes com que fiquei dele, a mais perfeita não diz respeito a algo que aconteceu comigo. Apenas fiquei sabendo dias atrás. Quando me perguntarem quem era o pai de minha mãe, eu vou contar esse case.
O vô Roque discutia política com uma de suas filhas, uma tia que adoro. Ela, malufista até morrer. Ele, anti-malufista tanto quanto anti-corinthiano.
- Não voto no Maluf porque não voto em ladrão!
- Ah, pai, hoje em dia quem não é ladrão?
Meu vô finalizou a conversa:
- Eu não sou!
Meu avô nunca conheceu outro país que não este. Nem falou outra língua, ou tem qualquer diploma. Candidato, jamais. Tricolor até debaixo da primeira divisão.
Saiu do Paraná com uma renca de filhos. A mais nova, com apenas três anos, aquela a quem chamo de mãe. Teve apenas uma esposa, oito filhos (4 machos e 4 fêmeas). Não construiu nenhum império econômico, ralava para pagar suas dívidas em dia e sempre foi conhecido pela imagem de pão-duro (e realmente, economizava até não conseguir mais esconder o dinheiro). mas nunca se soube de alguém necessitado que tivesse lhe pedido dinheiro emprestado e não fosse atendido.
No velório dele, faltava espaço paratanta gente. Em todos eles, como em mim, vô Roque deixou saudades. E vai demorar para deixar de doer.
Há mais de 14 anos eu não tinha uma experiência de velório, de perda profunda, da dor da morte. Dói. Eu não imaginava que meu avô me faria tanta falta.
Das lembranças mais marcantes com que fiquei dele, a mais perfeita não diz respeito a algo que aconteceu comigo. Apenas fiquei sabendo dias atrás. Quando me perguntarem quem era o pai de minha mãe, eu vou contar esse case.
O vô Roque discutia política com uma de suas filhas, uma tia que adoro. Ela, malufista até morrer. Ele, anti-malufista tanto quanto anti-corinthiano.
- Não voto no Maluf porque não voto em ladrão!
- Ah, pai, hoje em dia quem não é ladrão?
Meu vô finalizou a conversa:
- Eu não sou!
Meu avô nunca conheceu outro país que não este. Nem falou outra língua, ou tem qualquer diploma. Candidato, jamais. Tricolor até debaixo da primeira divisão.
Saiu do Paraná com uma renca de filhos. A mais nova, com apenas três anos, aquela a quem chamo de mãe. Teve apenas uma esposa, oito filhos (4 machos e 4 fêmeas). Não construiu nenhum império econômico, ralava para pagar suas dívidas em dia e sempre foi conhecido pela imagem de pão-duro (e realmente, economizava até não conseguir mais esconder o dinheiro). mas nunca se soube de alguém necessitado que tivesse lhe pedido dinheiro emprestado e não fosse atendido.
No velório dele, faltava espaço paratanta gente. Em todos eles, como em mim, vô Roque deixou saudades. E vai demorar para deixar de doer.
Domingo, Outubro 1
Merdices fonseqüenses
E na fazenda onde meus pais moram, apareceu uma Arara Canindé que eles resolveram chamar de Lara, em homenagem a uma amiga minha que fala sem parar. O problema é que, se alguma dia alguém descobrir que é O Araro, teremos de chamar de Pedro, Pedro de Lara. Meu nome é Lara, Pedro de Lara. Rarará. Eu, como não sou bom em trava-línguas e gosto de neologismos, chamo a coitada de Lararara. Mas acho que ela não gosta muito.
E a nossa professora Márcia foi embora pra Londres. Uma amiga perguntou, toda aflita, se ela vai de Gol? Um outro disse que não, que ela ia de avião mesmo. Direto do País da Piada Pronta!
E nessa semana eu fui para São Paulo não-sei-quantas vezes. Aquela cidade me deixa bêbado. E vi dois daquele carro hammer, um preto e outro amarelo. Avá! Nem Power Ranger tem um daquele. E um amigo psicopata me disse que toda vez que vê um Cross Fox tem vontade de transar. Ele só não explicou se é transar NO carro ou COM o carro. Rarará. Que pior!
E a Cicarelli naquele filme A Praia. Aqueles cinco minutos deram mais audiência que todos os filmes do Alexandre Frota e Mateus Carrieri juntos. Que judiação, esse é mesmo o país dos injustiçados!
E continuo minha mesopotâmica missão Morte Ao Tucanês. É que em Jundiaí, aqui perto, tem uma igreja evangélica chamada Jesus Te Salva. Um grupo se separou da igreja e criou outra ali perto chamada Aqui Jesus Te Salva Mesmo. Viva o marketing religioso! Assim os publicitários não ficam sem emprego e anunciam nas nossas revistas e jornais.
Dá licença que vou pingar vinho tinto no olho, que o colírio alucinógeno acabou de acabar. Junto com a Fanta Uva sem gás. Rarará.
Hoje, só amanhã!
(OBS.: Desculpe pela veia Zé Simão, não é plágio, é homenagem tupiniquim. Leia a coluna José Simão, todos os dias na Folha de S.Paulo. Rarará).
E a nossa professora Márcia foi embora pra Londres. Uma amiga perguntou, toda aflita, se ela vai de Gol? Um outro disse que não, que ela ia de avião mesmo. Direto do País da Piada Pronta!
E nessa semana eu fui para São Paulo não-sei-quantas vezes. Aquela cidade me deixa bêbado. E vi dois daquele carro hammer, um preto e outro amarelo. Avá! Nem Power Ranger tem um daquele. E um amigo psicopata me disse que toda vez que vê um Cross Fox tem vontade de transar. Ele só não explicou se é transar NO carro ou COM o carro. Rarará. Que pior!
E a Cicarelli naquele filme A Praia. Aqueles cinco minutos deram mais audiência que todos os filmes do Alexandre Frota e Mateus Carrieri juntos. Que judiação, esse é mesmo o país dos injustiçados!
E continuo minha mesopotâmica missão Morte Ao Tucanês. É que em Jundiaí, aqui perto, tem uma igreja evangélica chamada Jesus Te Salva. Um grupo se separou da igreja e criou outra ali perto chamada Aqui Jesus Te Salva Mesmo. Viva o marketing religioso! Assim os publicitários não ficam sem emprego e anunciam nas nossas revistas e jornais.
Dá licença que vou pingar vinho tinto no olho, que o colírio alucinógeno acabou de acabar. Junto com a Fanta Uva sem gás. Rarará.
Hoje, só amanhã!
(OBS.: Desculpe pela veia Zé Simão, não é plágio, é homenagem tupiniquim. Leia a coluna José Simão, todos os dias na Folha de S.Paulo. Rarará).
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