da série “família ê, família á”
fui jantar com minha família porque era aniversário do meu pai. Às vezes fico pensando no motivo de eu e minha irmã sermos tão diferentes [eu disse “tãããããããããão diferentes”].
eu: ...mas daí emagreci e essa calça nem serve mais.
Tá: emagreceu?! jura? não parece!
eu: desculpe essa cara, mas tô rindo por dentro.
Tá: tá rindo tanto que até inchou a barriga, olha aí.
eu: se o corpo da gente funcionasse assim, quando você pensasse seu cérebro ia inchar até imitar uma azeitona.
Tá: desafio! eu duvido você passar por aquela porta! gordo deste jeito, vai ter de pagar pro dono do restaurante aumentar o tamanho da entrada.
eu: não se você for antes de mim.
Tá: abusado.
eu: tonta!
nossa mãe: hei, vocês estão brincando ou brigando?
eu: os dois.
Tá: viu, já sei um jeito de você emagrecer!
eu: qual? parar de imitar o seu formato?
Tá: é sério. preciso entregar duzentas horas de cultura num-sei-quê-lá... faz os resumos de uns filmes pra mim?
eu: nem pensar! que raio de enfermeira você ia ser?
Tá: mas eu não quero ser inteligente, só quero trabalhar na área.
eu: eu posso te ajudar do meu jeito. vou fazer uma lista de filmes que tem relação com tratamento médico. já viu “Uma mente brilhante”?
Tá: dormi no meio do filme.
eu: e “Mar adentro”?
Tá: não vi e não quero ver.
eu: então vai cagar.
Tá: vai você que tá precisando emagrecer.
eu: tchau, retardada. amo você.
Tá. é, eu sei. também. boa viagem.
Quinta-feira, Novembro 19
adeus ano velho
da série "eu vi e posso provar"
o lado bom de se viajar a trabalho é que, ainda que seja trabalho, é viagem. tem uma transposição, um pequenino êxodo que te coloca em contato com pessoas e lugares diferentes, a repetição em escala menor do nosso nascimento. isso é o legal de viajar: sair do útero e começar a viver de modo diferente.
na minha mais recente viagem - para o Recife e adjacências -, entrevistei um cara que tem pássaros enjaulados em casa. embora eu odeie gaiola, aquário e outras prisões, achei lindo o modo como ele se relaciona com essa ave - alguém confirma se é um pintasilgo? -. parece até que é um cachorro ou gato, parece até gente [só que também na versão duas cores].
o curioso é quando o homem vai devolver a ave pra gaiola: ela gruda no dedão e não solta! claro que, depois de uns dois minutos, eu fiquei pensando "caralho, quero ir almoçar e essa galinha colorida não larga a mão deste velho".
prefiro as viagens a passeio, sem dúvida. e é por isso que me despeço temporariamente dos meus cinco leitores [o que significa um aumento de 30% no número de visitantes! nossa, tamo bombando, hein?]. desejo um ótimo feriado da consciência negra [para os que vão trabalhar nesta sexta-feira eu não desejo nada, apenas paciência].
posso voltar em edições extraordinárias [sim, isto é uma ameaça].
e que o senhor sempre vos acompanhe.
Sexta-feira, Novembro 13
jornalista que veio do mar
da série "eu fui, mas voltei"
Maceió é o tipo de cidade que a gente só pode resumir de uma forma: "você tem de conhecer!". eu, que já saí do armário há tempos no que diz respeito a gostar de dormir até mais tarde, acordei às 5h40 de uma terça-feira e fui caminhar pela orla [na foto, cara cansada com barba por fazer].
aliás, eu e metade da cidade estávamos na orla.
as pessoas são saudáveis, todo é muito atraente e a comida, por darwin!, é maravilhosa. comi camarão do tamanho de um... de um... er, de um camarão grande [achei! "do tamanho de um pepino"]. fui a um restaurante onde só servem comida que veio do mar e, craro, saí de lá passando mal.
eu, que assumidamente não gosto de praia, amei Maceió.
voltaria pra passear fácil lá.
Quinta-feira, Novembro 12
eu, felipe f.
da série "voltei por aqui é meu lugar"
acabo de chegar do Nordeste. três dias, três capitais, cinco matérias e muita vista bonita.
tudo muito corrido, intenso e cansativo. mas, como nem tudo está perdido [achei que estava], as paisagens compensaram o cansaço físico e a frequência "sangria desatada" [adoro essa expressão].
depois escrevo mais sobre minhas impressões que eu trouxe de João Pessoa [PB], Recife [PE] e Maceió [AL]. nesta última, fiquei em uma pousada linda que tinha essa vista pintada por deus, mas fotografada por mim [quando ele não faz um trabalho muito bom, eu uso um photoshop, mas não neste caso].
se eu não escrever, é porque não escrevi.
Quinta-feira, Novembro 5
doubt
da série "grandes filmes que não fizeram tanto sucesso assim"
vi um dos filmes mais interessantes dos últimos tempos. não vou dar uma de crítico de cinema aqui. Dalton Garcez dizia que "os críticos de cinema são como homens assexuados". não sou, tampouco pretendo ser especialista em nada neste mundo [prefiro ser plateia e continuar me encantando]. mas se tivesse de resumir “Dúvida” em um post de twitter, diria apenas que “é o tipo de história que me segura e que merece ser revisto”.
mas, como isso não é o twitter e nem eu sou obrigado a resumir nada, vou escrever mais. a história gira em torno de um padre [Philip Seymor Hoffman], acusado por uma freira amarga e meio confusa de abusar sexualmente de um dos alunos. a freira é Meryl Streep e isso é motivo suficiente para ver o filme.
o grande barato do filme é que a gente não tem muita certeza se torce pelo padre ou pela freira, se acredita nele ou nela. é algo “Dom Casmurro”: há fortes evidências dos dois lados e elas nos colocam em conflito. eu fiquei com um monte de perguntas sobre pedófilos, fé & religião, ensino religioso, preconceito, homoafetividade, Maryl Streep de hábito e outros assuntos polêmicos.
gostei, veria de novo.
gostei, veria de novo.
foto divulgação
eu quero uma casa no campo
mais uma da série "neste calor, você e eu trabalhando,
sendo que a gente podia 'tá' nadando, 'tá' descansando..."
foto fênix
Quarta-feira, Novembro 4
O Incrível Guia Como Estragar o Conceito de Festa de Aniversário
da série “se alguém me contasse, eu não acreditaria”
final de semana, estive numa festa de aniversário que, se alguém me descrevesse, eu não acreditaria. o tempo em que fiquei ocioso durante a “festa” [começa por aí] e a maldade que tenho guardada no coração me permitiram criar algo que chamei de [sobe som. música de tam-tam-tam-taaaaam]: Incrível Guia Como Estragar o Conceito de Festa de Aniversário.
a.] primeiro e mais importante: não coloque música. pra que, né? deixe seus convidados no silêncio total, constrangidos, especialmente aqueles que não conhecem ninguém [se quiser estragar de verdade a noite deles, convide um monte de gente que não se conhece].
a.] primeiro e mais importante: não coloque música. pra que, né? deixe seus convidados no silêncio total, constrangidos, especialmente aqueles que não conhecem ninguém [se quiser estragar de verdade a noite deles, convide um monte de gente que não se conhece].
b.] deixe a comida toda empacotada ou encaixotada ou enrolada em papel-filme ou em lugares altos. é muito constrangedor/divertido que seus convidados tenham de abrir as caixas de salgadinhos [ah, é, faça com que haja salgadinhos de sobra para dar a impressão de festa grande de gente importante].
c.] quando chegarem os quatro primeiros convidados, diga a todo momento “fulano está chegando”, “sicrano não vem”, “beltrano não atende o celular”. afinal, para que considerar quem chegou no horário se o charme da vida é deixar os outros esperando?
d.] ah, é: atenda ao celular e fale em voz alta andando pelo salão. se isso não incomodar fodasticamente os convidados, pelo menos você utilizou o Efeito Eco em todos os cantos do ambiente.
e.] suma de vez em quando [afinal, não é porque a festa chata é sua que você tem de aguentar o tempo todo, né?].
f.] se alguém trouxer presente [cuidado, às vezes trazem], diga algo muito sem noção do tipo “eu não ligo para coisas materiais” [que, traduzindo, significa “eu me acho gostosa demais, mas ninguém mais acha”].
g.] jogue cadeiras plásticas pelo salão [afinal, sem música ninguém vai dançar].
h.] crie expectativas nos seus convidados de que vai-ser-a-festa-do-ano com muitos drinques e tais. chame algum vizinho para preparar mojito e deixe o cara lá amassando a hortelã no açúcar. de dez em quando, vá lá e fale “ai, não estou te dando atenção, né? tchau”.
i.] incentive conversas do tipo “lembra da Maricota que deu uns catos no Teseu, aquele do corsa azul que a gente viu na rua ano passado?”.
j.] suma de novo por alguns minutos, afinal, a festa continua chata.
k.] quando o seu amigo DJ finalmente chegar e colocar alguma música [afinal, só ele sabe encaixar o CD no aparelho e apertar o “play”], deixe ele cuidando da trilha sonora e suma de novo.
l.] mesmo que você esteja perto dos quarenta, alegre-se porque vieram crianças e deixe que elas corram pelo salão!
acredite, este guia funciona tanto que, no ano seguinte, as pessoas vão marcar uma viagem qualquer para não ir à sua festa [ou seja, vai sobrar mais comida ainda].
foto: gettyimages
Terça-feira, Novembro 3
eu finjo ter paciência
da série “quero lalalaiá porque eu tô voltando”
chegou meu aniversário. inhé. de novo. mas agora são vinte e cinco, hein? saúde. paz. tempo pra namorar o grande amor a vida inteira. e tudo aquilo de aniversários. obrigado, obrigado, obrigado.
não gosto muito de comemorar meu aniversário porque dá a impressão de que estou mais velho do que estava há 365 dias [sendo que, na verdade, estou mais velho todos os dias do que estava há 24 horas – e isso não é necessariamente ruim. eu diria que depende].
mas, vamos lá.
fazer anos é até que legal. tenho a impressão de que nunca vivi tanto tempo assim. E as pessoas aproveitam a data para expressar carinho, gratidão e rolam até uns presentes [ah, não precisava]. o primeiro – e certamente, um dos que mais emocionaram nestes vinte e cinco aniversários – foi o ingresso para o show “em tempos de crise, nasceu a canção”, das Chicas [SESC Pompeia, 31.out].
até fiz uma pequenina série que chamei de “a_gente_estava_lá” e enfiei tudo no flickr [é para estar lá, a não ser que meu estagiário tenha ficado no Paciência Spider outra vez]. enfim, showzão, belíssimo e rolou até um papo sério com Isadora quando eu gritei “toca Geraldinos e Arquibaldoooooooooos”. dia 11 elas voltam pra Sampa, se puder, vai lá.
reparas [ou “notas”]
isso aqui não é o twitter [thank god!], mas vou resumir rapidão:
_estive envolvido em um projeto na empresa, o que me impediu de postar. bem-vindo de volta, fê.
_obrigado.
_assisti ao último episódio de “Will and Grace”. pô... =[
_ouvindo máster “Fuck You”, da Lily Allen; “Retalhos de Cetim”, do Zeca Baleiro e “A história de Lilly Braun”, da Maria Gadú.
_e tudo das Chicas, claro.
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