Sexta-feira, Julho 3

pa-pa-pauer rruendiers


hoje estive novamente numa indústria farmacêutica para fotografar uma galera, ae. pautas de última hora. na foto acima, eu estava me preparando para entrar na 'sala dos hormônios' [de onde um homem saiu com um belo par de seios uma vez]. lá, só se entra vestido de:

a. raparida muçulmana azulada
b. power rangers força ninja
c. convidado de festa à fantasia

abaixo, já com todo o equipamento, agora vestido vestido de:

a. megazord
b. monstro de filme caseiro de terror
c. power rangers derrotado
d. astronauta com dor-de-barriga
e. plantão médico com gripe suína

Quinta-feira, Julho 2

o charme discreto da gripe suína

*

a gripe suína quase chegou aqui na empresa. a Denise até precisou ficar em casa porque a irmã dela estava na lista de suspeitos da Interpol. por sorte, não era nada de H1N1. a gente achava [eu, pelo menos] que essa história toda de gripa porcina tinha acabado, especialmente após a queda do 447 e da morte do Michael, mas parece que a coisa anda crescendo fodasticamente.

medo.

de toda esta novela [que termine logo, caralho!], acho que o capítulo mais interessante foi a escolha do nome. parece até nome de novela antiga do SBT. no início, suspeitavam-se que o vírus mutante H1N1 tinha alguma relação com porquinhos. mas agora que imagina-se que ele tenha ‘escapado’ de algum laboratório, tornou-se chato demais mudar e usar a sigla A Agá Um Êne Um. é muito grande e falta charme. parece que a gente enrola a língua pra dizer. isso, de usar sigla, é coisa de gente que não ouve Bossa Nova, não usa cachecol e não gosta de animais [pronto, falei].

sou a favor de criar uma equipe de jornalistas [diplomados, claro] no Ministério da Saúde para dar nomes para as doenças [a previsão é de nova safra para a qualquer momento]. embora seja um erro técnico, “gripe suína” é um nome fácil, que pega rápido [literalmente] e dá margem para os comediantes stand up criarem muitas piadinhas.

a gripe suína é uma das poucas coisas que funcionam neste país.

essa equipe do MS, além de ter jors e alguém da área de saúde, pode ter membros da Polícia Federal, pois eles, sim, são ótimos em dar nomes legais para ações do mal.

*na foto acima,
gato capturado por
Camila Ponte e dado
de presente, em forma de foto,
para mim. não tem nada a ver com
o assunto, mas também é charmoso

Terça-feira, Junho 30

"coisa pequenina, luz da minha vida"


eu adoro crianças. juro por Darwin, Nietzsche e Freud. e por algum motivo misterioso, elas também vão com a minha cara. já me disseram que é por causa da barba. ou porque elas são mais maduras do que eu [não gosto desta última teoria]. seja como for, costumamos nos dar, exceto quando elas me vencem no Playstation, Wii ou rouba-montes. na foto abaixo, no final de semana que acabou de terminar =[, minha irmã segura um carneirinho para que nossa futura afilhada - a de branco, sentada, à direita da foto - se acostume com vida no campo.

na casa de nossa futura comadre - portanto, mãe da nossa futura afilhada - existem apenas algumas espécies de bichos: emus, emas, avestruzes, 13 cachorros, ovelhas, um gato, coelhos [incontáveis], galinhas, gansos e, dizem, dinossauros. quando a gente chega lá, é um mar de cachorro na frente da gente, de pincher semi-vira-lata até rottweiler muito-vira-lata. adoro todos, mas ainda acho que são muitos [pô, eu nem consigo decorar o nome deles!].

tem um pincher tri-patas, pois uma perna foi comida por um rottweiler [por Darwin, Nietzsche e Freud!]. e o gato parece nem nem para esse monte de cachorro [leia-se "moooooooonte de cachorro"].

certeza que serei um bom padrinho. destes que esquecem o socialismo e levam para o Mac Donald's, que esquecem os perigos e escalam árvore, que esquecem a cartilha e jogam videogame até tarde. resta saber minha afilhada conseguirá acompanhar este padrinho que, dia mais cedo, dia mais tarde, se sentará numa grande poltrona [leia-se "graaaaande poltrona"] e vai dizer tipo Marlon Brando: "eu lhe farei uma proposta que não poderá recusar" [para bom cinéfilo, meia citação basta].

Segunda-feira, Junho 29

ai uana plei a gueime

Camis Gonzaga, que não estava no sonho, mas se estivesse, faria sentido

da série "sonhos que poderiam ser chamados de pesadelos"

só porque eu digo que nunca me lembro dos meus sonhos [tanto que desconfiava que não sonhava, daí], ultimamente eles têm sido inesquecíveis [não necessariamente bons].

estava eu, lá, parado no meio do nada, e a mulher de boné amarelo aparece ao meu lado com uma caderneta na mão.
- Cê pê efe na nota?
- Oi?!
ela trabalhava no Mac Donald's. eu estava dentro de um Mac da Faria Lima.
- CPF na nota, senhor?
- Não, eu...
- Batata grande?
- Oi?
- Batata, senhor?
- Er... não.
- Vai tomar alguma coisa?
- Eu...
- Refrigerante ou suco?
- Nada, eu nem...
- Quatorze reais, senhor.
- Oi?

quando acordei, achei que aquele tinha sido o sonho mais estúpido da minha vida. da vida de qualquer pessoa. sonhar que se está caindo é mais interessante. sonhar com a avó pelada é mais divertido. mas agora, distante o suficiente para analisar tudo, vejo que a verdadeira estupidez não está no sonho, mas na vida real. como diria - ou discursaria, que seja - minha professora de Teorias da Comunicação, a estupidez está no fato de estas oligarquias dominantes do prazer absolutista do consumismo derivado da cultura de massa que os Estados Unidos impregnam na mente dos jovens brasileiros que estao à mercê dos mass media da... cansei. é como diz uma amiga minha: a realidade é muito mais forte que uma sequência de Jogos Mortais.

Sexta-feira, Junho 26

a vida em tempo real


pessoas antenadas, descoladas e que acompanham as tendências mundiais costumam se destacar nos ambientes que frequentam. tipo a denise, que na festa junina da empresa, veio fantasiada de caipira com gripe suína [H1N1, que seja]. agora, eu também quero minha máscara.

Terça-feira, Junho 23

Laerte, Liniers e um monte de coisa tudo-junto-ao-mesmo-tempo

da séries "quadro dos quadrinhos"

aproveitando que semana passada indicamos os quadrinhos do Carlos Ruas, hoje posto algumas das melhores tiras do Laerte. abram-se parênteses aqui agora: o Laerte ao qual me refiro é muito superior ao Laerte que hoje lemos/vemos na Folha de S.Paulo. tinha graça, sabe? o Laerte de hoje é para mentes superiormente interessante, não se pode acompanhar. óquei, óquei: o cara é mestre e mestres podem fazer o que quiser. mas não me peça para gostar. gosto das tiras do Gato e Gata, dos Piratas do Tietê, da República dos Bananas [ops, este é do Angeli, que também é foda].

enfim, fiquem agora, com algumas das muitas obras máximas do Laerte.




e como vocês estão falando sobre quadrinhos [ué, não estão? deveriam! uéréver], a Folha de S.Paulo começou ontem a publicar material do Ricardo Liniers, artista argentino que acompanho desde algum tempo [esqueci o quanto, mas é um tanto]. o site dele é bastante interessante, diferente e divertido. esta foi a tirinha de Macanudo que inaugurou sua chegada a este jornal -adversário-do-diploma-de-jornalista ontem:

Segunda-feira, Junho 22

previously on lipe's life


da série: =0

passei o final de semana perto de minhas raízes [deitado sobre os pés de uma imensa seringueira]. recebi uma péssima notícia: meus pais querem doar o Nemo, nosso border colie que causa inveja até em criadores muito experientes da raça. o motivo: ele e o Átila [nosso maremano] brigaram feio e este quase matou aquele. vão fazer mais um período de teste e, caso não convivam bem, eles vão doar o Nemo, que, ao contrário do Átila, não é um bom cão pastor.
=[

pelo menos teve o novo ensaio fotográfico da Ottana, que saiu comigo e com Évélise para “caçarmos” pássaros [roubar-lhes a alma, digamos assim]. a Ottana é sempre uma ótima companheira e, mesmo espantando every single bird, é divertido sair com ela pelos pastos da fazenda.
=]

e, para completar a parte animal do final de semana, teve o Nietzsche [nome provisório dado por mim], o novo gato da Rosângela. nos divertimos muito com ele, exceto quando ele subiu nas minhas costas [não sei como conseguiu] com aquelas unhas finas e desgraçadas.
=\

e, depois de tudo, fiquei morgando na estação Luz, de metrô e trem. amanhã coloco mais fotos no flickr. ou não. chegando em casa, dormi 12 horas. me diz, como é que alguém dorme 'DOUZE' horas? só pode ser doença... o pior é que, se pudesse, dormiria por mais dois dias seguidos...
=|

Sexta-feira, Junho 19

mudamos, mas será que foi pra melhor?

da série "nem eu entendi"

a gente vai meio que crescendo. antigamente, eu gostava de aniversário. do meu. era uma data legal, ganhava presente, era abraçado 'pá caralho' e teve até uma vez que ganhei uma telemensagem. era tudo simples, às vezes pitoresco, mas bastante humano. hoje, se você ganha recados de 30% dos seus contatos do orkut, você tem de comemorar.

outra coisa que mudou com o tempo foi meu cabelo. já esteve raspado, à la chitãozinho-e-xororó [a Jú-Des também teve, que eu sei!], arrepiado [um primo do meu pai me chamava de Dunga], então jogador da seleção] e hoje há fios brancos, ele está comprido, todo jogado pra trás [o meu cabelo e o Dunga].

mudou também a minha percepção de quando tentam me fazer de burro. se pudesse voltar para três ou quatro anos, nunca teria aceitado algumas coisas, relacionamentos que me fizeram mal [e ainda fazem, senão nem ia escrever isso aqui], amizades que não compensaram o meu esforço, e-mails que trouxeram vírus para meu PC.

também mudou [para melhor] o meu amor pelos meus pais, irmã e nossos cachorros [estamos próximos do quarto animal, outro da raça Maremano, urru!]; mudou minha vontade de sumir de perto de quem eu amo, e que deu lugar a um desejo de encontrar essas pessoas sempre que eu puder e elas se mostrarem disponíveis [até domingo, terei revisto Jú-Des, família (interior+capital), Lara, Cleide, Gabriel, João, Tiago. tudo em apenas quinze dias].

e mudou minha disposição em viajar: se antes eu esperava grandes fortunas e feriados prolongados, hoje pego o que tenho e vou pro Rio [denovo,denovoedenovo], Porto Alegre e pra onde mais o vento soprar. vou e volto, porque São Paulo é definitivamente minha casa, minha terra e minha Querengué.

eu mudei. me mudei. a Vale do Rio Doce mudou. muitas outras coisas mudaram. por exemplo. se na minha época de estudante, a gente era obrigado a ter diploma para ser jornalista – bah! – isso virou coisa do passado. até o Nemo, Ottana e Àtila [meus cachorros] podem vir pra cá e escrever matérias. venham todos para a redação, 'todomundojunto' pode ser jornalista, basta dizer assim "sou jornalista".

essa semana foi foda [no mau sentido] para nós, jornalistas e colegas aspirantes [que ainda estudam, portanto]. resta, aos que estão abaixo do Supremo Tribunal Federal [e todos estão, pois ele é supremo] investir em qualidade e contatos do tipo network, pois, se o diploma já era insuficiente, agora ele só serve pra acender fogueira na festa junina [que, enquanto o Super-Supremo não mudar, continuará sendo comemorada em junho].