Quinta-feira, Novembro 5

doubt



da série "grandes filmes que não fizeram tanto sucesso assim"

vi um dos filmes mais interessantes dos últimos tempos. não vou dar uma de crítico de cinema aqui. Dalton Garcez dizia que "os críticos de cinema são como homens assexuados". não sou, tampouco pretendo ser especialista em nada neste mundo [prefiro ser plateia e continuar me encantando]. mas se tivesse de resumir “Dúvida” em um post de twitter, diria apenas que “é o tipo de história que me segura e que merece ser revisto”.
mas, como isso não é o twitter e nem eu sou obrigado a resumir nada, vou escrever mais. a história gira em torno de um padre [Philip Seymor Hoffman], acusado por uma freira amarga e meio confusa de abusar sexualmente de um dos alunos. a freira é Meryl Streep e isso é motivo suficiente para ver o filme.

o grande barato do filme é que a gente não tem muita certeza se torce pelo padre ou pela freira, se acredita nele ou nela. é algo “Dom Casmurro”: há fortes evidências dos dois lados e elas nos colocam em conflito. eu fiquei com um monte de perguntas sobre pedófilos, fé & religião, ensino religioso, preconceito, homoafetividade, Maryl Streep de hábito e outros assuntos polêmicos.

gostei, veria de novo.
foto divulgação

 

eu quero uma casa no campo


mais uma da série "neste calor, você e eu trabalhando,
sendo que a gente podia 'tá' nadando, 'tá' descansando..."

foto fênix

Quarta-feira, Novembro 4

O Incrível Guia Como Estragar o Conceito de Festa de Aniversário



da série “se alguém me contasse, eu não acreditaria”

final de semana, estive numa festa de aniversário que, se alguém me descrevesse, eu não acreditaria. o tempo em que fiquei ocioso durante a “festa” [começa por aí] e a maldade que tenho guardada no coração me permitiram criar algo que chamei de [sobe som. música de tam-tam-tam-taaaaam]: Incrível Guia Como Estragar o Conceito de Festa de Aniversário.

a.] primeiro e mais importante: não coloque música. pra que, né? deixe seus convidados no silêncio total, constrangidos, especialmente aqueles que não conhecem ninguém [se quiser estragar de verdade a noite deles, convide um monte de gente que não se conhece].
b.] deixe a comida toda empacotada ou encaixotada ou enrolada em papel-filme ou em lugares altos. é muito constrangedor/divertido que seus convidados tenham de abrir as caixas de salgadinhos [ah, é, faça com que haja salgadinhos de sobra para dar a impressão de festa grande de gente importante].
c.] quando chegarem os quatro primeiros convidados, diga a todo momento “fulano está chegando”, “sicrano não vem”, “beltrano não atende o celular”. afinal, para que considerar quem chegou no horário se o charme da vida é deixar os outros esperando?

d.] ah, é: atenda ao celular e fale em voz alta andando pelo salão. se isso não incomodar fodasticamente os convidados, pelo menos você utilizou o Efeito Eco em todos os cantos do ambiente.
e.] suma de vez em quando [afinal, não é porque a festa chata é sua que você tem de aguentar o tempo todo, né?].

f.] se alguém trouxer presente [cuidado, às vezes trazem], diga algo muito sem noção do tipo “eu não ligo para coisas materiais” [que, traduzindo, significa “eu me acho gostosa demais, mas ninguém mais acha”].
g.] jogue cadeiras plásticas pelo salão [afinal, sem música ninguém vai dançar].
h.] crie expectativas nos seus convidados de que vai-ser-a-festa-do-ano com muitos drinques e tais. chame algum vizinho para preparar mojito e deixe o cara lá amassando a hortelã no açúcar. de dez em quando, vá lá e fale “ai, não estou te dando atenção, né? tchau”.
i.] incentive conversas do tipo “lembra da Maricota que deu uns catos no Teseu, aquele do corsa azul que a gente viu na rua ano passado?”.
j.] suma de novo por alguns minutos, afinal, a festa continua chata.

k.] quando o seu amigo DJ finalmente chegar e colocar alguma música [afinal, só ele sabe encaixar o CD no aparelho e apertar o “play”], deixe ele cuidando da trilha sonora e suma de novo.

l.] mesmo que você esteja perto dos quarenta, alegre-se porque vieram crianças e deixe que elas corram pelo salão!

acredite, este guia funciona tanto que, no ano seguinte, as pessoas vão marcar uma viagem qualquer para não ir à sua festa [ou seja, vai sobrar mais comida ainda].

foto: gettyimages

Terça-feira, Novembro 3

eu finjo ter paciência



da série “quero lalalaiá porque eu tô voltando”


chegou meu aniversário. inhé. de novo. mas agora são vinte e cinco, hein? saúde. paz. tempo pra namorar o grande amor a vida inteira. e tudo aquilo de aniversários. obrigado, obrigado, obrigado.

não gosto muito de comemorar meu aniversário porque dá a impressão de que estou mais velho do que estava há 365 dias [sendo que, na verdade, estou mais velho todos os dias do que estava há 24 horas – e isso não é necessariamente ruim. eu diria que depende].

mas, vamos lá.

fazer anos é até que legal. tenho a impressão de que nunca vivi tanto tempo assim. E as pessoas aproveitam a data para expressar carinho, gratidão e rolam até uns presentes [ah, não precisava]. o primeiro – e certamente, um dos que mais emocionaram nestes vinte e cinco aniversários – foi o ingresso para o show “em tempos de crise, nasceu a canção”, das Chicas [SESC Pompeia, 31.out].

até fiz uma pequenina série que chamei de “a_gente_estava_lá” e enfiei tudo no flickr [é para estar lá, a não ser que meu estagiário tenha ficado no Paciência Spider outra vez]. enfim, showzão, belíssimo e rolou até um papo sério com Isadora quando eu gritei “toca Geraldinos e Arquibaldoooooooooos”. dia 11 elas voltam pra Sampa, se puder, vai lá.

reparas [ou “notas”]
isso aqui não é o twitter [thank god!], mas vou resumir rapidão:
_estive envolvido em um projeto na empresa, o que me impediu de postar. bem-vindo de volta, fê.
_obrigado.
_assisti ao último episódio de “Will and Grace”. pô... =[
_ouvindo máster “Fuck You”, da Lily Allen; “Retalhos de Cetim”, do Zeca Baleiro e “A história de Lilly Braun”, da Maria Gadú.
_e tudo das Chicas, claro.

Quarta-feira, Outubro 28

¿és un blog?

da série "isto aqui tá uma zona, hein?"

isso aqui ainda é um blog? sem atualização há quase uma semana, sem perspectivas de novos textos, sem um dirigente-autor-blogueiro-diabo-que-o-parta que possa soltar idéias... repito e repergunto: isso aqui ainda é um blog?

o que faz um blog ser um blog? os textos pequenos maiores do que tweets? as fotos com legendas mais completas que uma imagem no flickr? as ideias do tipo brincadeira mais sérias do que uma piada [e menos chatas do que um sermão]?

é a bobagem do comi-um-melão-hoje-pela-manhã ou a sacada do socorram-me-subi-no-ônibus-em-marrocos? é pau, pedra ou é o fim do caminho?

essa semana, acordei em crise. sem tempo para pensar na vida, apenas ligado no piloto automático, a vida frenética passando rápida demais pelas lombadas e alguma vontade doida de pular de paraquedas. vamos?

não é a proximidade do aniversário, nem a ponta despontada de um iceberg chamado Natal; não é o horário de verão, o calor ou as horas extras no trabalho [entrando mais cedo, saindo quando não dá mais pra aguentar].

não é nada disso.
e é tudo isso.

em resumo, estou superbem, mas não deu pra atualizar nada de inteligente.
só isso aqui.

Quinta-feira, Outubro 22

veja bem


da série "reuniões que mudaram minha vida"

hoje eu tive mais uma reunião em um cliente. uma empresa muito exigente para a qual faço uma publicação interna. blablabla. ao todo, eram doze pessoas. mais uma destas reuniões em que a gente pensa "por que pediram para eu vir?" ou "não me dê revólver agora, que eu vou usar".

fiquei batucando com os pés - discretamente, claro! - "Veja bem meu bem".
"queremos algo criado sem scroll, e o debut vai ser no day after do evento."
sinto lhe informar, arrnajei alguém pra me confortar...
"ainda não decidimos quantos exemplares faremos"
enquanto isso, navegando eu vou sem mar...

sim, a reunião foi longa. batuquei a música umas sete vezes [uma delas traduzindo para o espanhol, adoro fazer isso!].

com bastante tempo disponível, notei uma coisa a partir daquele grupo de doze pessoas:
- duas mulheres e dez homens: empresas gostam mais de bigodinho;
- apenas um homem sem barba: empresas gostam de gente mais velha;
- as salas de reunião nunca são planejadas para doze pessoas;
- o ar condicionado é a melhor invenção da História;
- falar "voltei toda bronzeada" na reunião nunca pega bem;
- as pessoas usam palavras em inglês porque acham que isso as faz mais importantes.

enfim, acabou.

a foto, eu roubei discretamente
do site de um conhecido.

literalmente


da série "portugueiz"

não entendo porque "literalmente" é usado por quase todo mundo com a mesma função de "pode crer", "pra caralho", "fodasticamente". hoje no almoço, por exemplo. duas jornalistas conversam e uma diz "com o abraço forte que ele me deu, eu fiquei toda quebrada", e a outra responde: "literalmente".

pela lógica que "literalmente" tem, imagino a primeira jornalista aos cacos, como os prato em um casamento grego. atenção, classe! ninguém é uma flor literalmente, exceto aquelas que se plantam - literalmente - na terra [ah!, e a Maria Flor, que rende piadas sacaditas com "literalmente"].

ouço o "literalmente" sempre e quase nunca ele é bem usado. tanto quanto "cujo", "prolixo", "adjunto", "etc" etc. a vontade que me dá é pegar uma espada e brincar de Beatrix Kiddo* com sua Hattori Hanzo. literalmente.

*também conhecida como Mamba Negra ou "the woman that is gonna Kill Bill".
adoro esse toy da Noiva! medo.

Quarta-feira, Outubro 21

estarei retornando


da série "making of"


não sei vocês, mas quando ligo para um entrevistado e alguém diz "ai... pera aí... ele tá ocupado, você pode retornar em dez minutos?", sempre penso "tá cagando, com certeza". porque ninguém que tá ocupado de verdade se desocupa em dez minutos. invejo essas pessoas que conseguem fazer este tipo de necessidade fora de casa [no trabalho, por exemplo].

chega de ligações, entrevistas, matérias, tantos caracteres e revisão de .pdf, quero ir pra casa ver "Sex and the city" [mais uma série velha que descobri só agora]. posso, tio?